Foliculite decalvante: o que causa a inflamação na raiz do cabelo?

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Você já ouviu falar na foliculite? É uma inflamação na base do cabelo que simula uma espinha, surgindo nos folículos pilosos. Pode ser uma infecção causada por bactérias, fungos, vírus e até pelos encravados e apresenta diversos quadros clínicos. Um deles é a foliculite decalvante.

Essa não é tão comum, mas pode ser uma das razões da perda de fios em determinadas áreas — principalmente na região da nuca em homens jovens — além de ocasionar vermelhidões e cicatrizes elevadas, implicando na baixa da autoestima.

Hoje, pensando em ajudá-lo a compreender uma das causas de alopecia, desenvolvi este artigo respondendo as principais dúvidas sobre foliculite decalvante. Boa leitura!

O que é a foliculite decalvante?

A foliculite decalvante é uma inflamação (aguda ou crônica) do folículo piloso que leva a um processo cicatricial com desaparecimento do fio, que dá lugar a uma cicatriz. Ela pode surgir em qualquer parte do corpo que tenha pelos, mas é mais comum no couro cabeludo, na região posterior chamada de occipital.

A foliculite decalvante é muito diferente da foliculite simples, que se manifesta também com pústulas na base dos fios, mas tem uma evolução muito menos agressiva e não evolui com cicatrizes ou extinção do fio. 

A decalvante é crônica e resistente. Em geral, ela é mais agressiva e apresenta cicatrizes definitivas, podendo destruir o folículo nos casos mais graves, deixando uma alopecia permanente. Os fios também podem ser envolvidos por fibrose e se unirem — processo chamado “politriquia”, ou cabelos de boneca. Em outras palavras, o mesmo poro pode permitir a saída de diversos fios, ocasionando uma inflamação maior na região caso não haja um controle da situação.

Há ainda o risco de desenvolvimento de furúnculos, devido à infecção causada por bactérias, um processo bem doloroso que pode criar grandes cicatrizes na região.

Quais são as suas causas?

Há diversas causas (ou gatilhos) possíveis para o surgimento da foliculite decalvante, independentemente da região do corpo. Entre as principais delas estão:

Ainda, é importante lembrar que os hábitos de higiene também estão atrelados à formação da foliculite, pois ela pode surgir a partir de fungos no couro cabeludo. Dessa maneira, são hábitos que contribuem para essa inflamação:

  • deixar de lavar o cabelo;
  • dormir com os fios úmidos;
  • utilizar água muito quente na lavagem;
  • gerar atrito entre os fios (com bonés, gorros e elásticos, por exemplo);
  • utilizar produtos inadequados para o seu tipo de cabelo.

Vale dizer aqui que algumas pessoas estão em um grupo de maior risco: os homens jovens e negros. Eles são mais cometidos porque têm maior quantidade de fios chamados urotríquios, que são extremamente encaracolados e podem voltar para dentro da pele depois de emergir, facilitando a inflamação e infecção.

Quais são os sintomas da foliculite decalvante?

No geral, os sintomas variam de acordo com a etapa da foliculite decalvante. Se ela estiver no estágio inicial, por exemplo, surgirão pequenas protuberâncias avermelhadas, semelhantes a espinhas, que podem apresentar pus em seu interior. Além disso, a pele ao redor ficará levemente avermelhada e um pouco sensível, com o risco de coceira na região.

No caso de uma foliculite crônica, as lesões pequenas podem coalescer formando uma placa com coleção purulenta. Essas lesões sofrem processo de fibrose e cicatrização com a´reas de alopecia definitiva de vários tamanhos diferentes. 

E os fatores de risco?

Por se tratar de uma inflamação, não existem restrições quanto ao desenvolvimento dessa doença — em outras palavras, qualquer um pode ter a foliculite decalvante. Ainda assim, podemos elencar os fatores de risco que contribuem para o seu surgimento. Veja os mais importantes deles:

  • quadros clínicos que interferem na sua imunidade, como diabetes, leucemia crônica, HIV/AIDS e casos de transplante de órgãos;
  • problemas de pele, como acne e dermatite;
  • maus cuidados com os fios;
  • lesões ou cirurgias na região;
  • obesidade;
  • tendência à oleosidade e transpiração excessiva no couro cabeludo;
  • utilizar por muito tempo itens apertados que retém o calor, como gorros, chapéus e bonés;
  • alterações hormonais;
  • exposição constante à água quente.

Lembre-se, contudo, de que esses são somente fatores de risco: caso você se enquadre em algum, não significa que desenvolverá a doença. É importante, ainda assim, ficar atento aos sinais que o seu corpo traz e realizar consultas periódicas com médicos especialistas, para garantir a sua saúde e qualidade de vida.

Como é feito o diagnóstico?

Outra pergunta muito comum quando se fala em foliculite diz respeito ao seu diagnóstico. Bem, todo o processo de identificação da inflamação até o tratamento e prognóstico deve ser feito com acompanhamento profissional qualificado, visto que ele deverá levantar os dados necessários para dar início à intervenção.

Durante os primeiros encontros, é comum escutar perguntas em relação ao início da infecção, históricos de doenças de pele, exposição a elementos externos (como água quente e produtos prejudiciais) e a frequência dos sintomas. O médico ainda pode perguntar se algumas medidas caseiras foram tomadas para lidar com a inflamação. Aqui, é importante manter-se sempre honesto para garantir que o diagnóstico e, por consequência, o tratamento seja eficaz.

Após essa conversa, o médico deve realizar o exame físico e observar a região — normalmente, utilizando o dermatoscópio, que auxilia na precisão diagnóstica —, além de solicitar testes laboratoriais de uma pequena amostra para confirmar a foliculite e identificar a sua causa.

Qual é o tratamento da foliculite decalvante?

Em primeiro lugar, como dissemos, é preciso passar por uma avaliação com um dermatologista especialista, para verificar se é realmente o caso de foliculite decalvante. Se o problema se confirmar, o tratamento será feito de acordo com a gravidade do caso.

Nos cenários mais simples, indica-se compressas mornas para ajudar a drenar o pus e melhorar a higiene do local — o que vem se mostrando uma solução pouco eficiente. Ainda, dependendo da situação, o tratamento é feito com pomadas específicas com corticóides e antibióticos para melhorar a lesão.

Já em casos mais graves, ou quando a infecção se mostra recorrente, é necessário intervir com antibióticos orais ou injetáveis. O antibiótico oral pode ser utilizado por longo prazo em dose baixa e as infiltrações no couro cabeludo podem ser mensais. Mais raramente os pacientes podem ter necessidade de fazer uso também crônico de isotretinoina.

É importante ressaltar que, nesses quadros mais sérios, diagnósticos errados ou atrasados podem levar a cicatrizes e até à perda definitiva dos cabelos. Afinal, o tratamento também será feito de forma equivocada, muitas vezes utilizando shampoos e produtos tópicos ineficientes. Justamente por isso é que o papel do dermatologista é fundamental nesse cenário, já que é ele que dará todas as orientações necessárias para um bom tratamento.

Existe alguma prevenção?

De fato, o processo de prevenção da inflamação não existe. Mantendo bons hábitos de higiene pessoal, utilizando os produtos certos para o seu fio e mantendo consultas regulares com dermatologistas de confiança, você consegue manter a sua saúde em dia. E isso é importante para o corpo todo, inclusive para o couro cabeludo.

Como vimos, a foliculite decalvante é uma inflamação delicada, que deve ser manejada com o máximo de cuidado para não trazer consequências sérias à sua vida. Lembre-se, então, de procurar um especialista em dermatologia, com o foco voltado em tratamentos capilares, para ter uma assistência de qualidade durante essa intervenção.

Enfim, sobrou alguma dúvida sobre a foliculite decalvante e suas formas de tratamento? Se gostou deste artigo, entre em contato comigo para manter os cuidados com o seu couro cabeludo e evitar uma calvície indesejada!

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3 thoughts on “Foliculite decalvante: o que causa a inflamação na raiz do cabelo?

  1. Meu filho perdeu cabelos no couro cabeludo devido a isso. E formou uma fibrose. Não tem como corrigir o problema?

    1. O principal objetivo é estabilizar a inflamação. Se já houver uma cicatriz estabelecida podemos retirar com cirurgia plástica… mas tudo deve ser avaliado de perto… cada caso é único!

    2. As alopecias cicatriciais são um tormento não é mesmo?!!!
      Caso já tenha uma fibrose instalada uma boa opção é a remoção cirúrgica…
      Deve procurar um dermatologista que faça procedimentos cirúrgicos e que entenda de alopecia….
      beijos

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